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A mostrar mensagens de março, 2024
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É milenar a desconfiança feminina quanto à existência de uma secreta e maçónica Irmandade Masculina: em qualquer situação um homem encontra sempre apoio e resguardo junto dos do seu género, uma espécie de código secreto natural e plantado no mais recôndito lugar do cérebro macho. À mais ínfima névoa de ameaça, aí está a força invisível e atuante a agregar defesas junto do irmão em perigo, mesmo que desconhecido, de outra raça ou país, gordo ou magro - um irmão é um irmão. Ao contrário d'elas, argumentam, mais interessadas nas pequenas invejas e misérias com que povoam o universo feminino. E, se elas o dizem, quem serei eu para contradizer...  Este inicial arrazoado de íntima filosofia de pacotilha serve para validar o argumento inicial: sim, existe uma ligação entre os gajos que vem do início dos tempos; isto, a fazer fé no modo como os quatro projectos de caminhantes iniciaram o desafio, logo à saída do Largo de S. Domingos, como se conhecidos há mais que muito tempo e outro ta...
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Foi neste caldeirão de incertezas que nasceu o desafio de fazer parte da legião multisecular dos peregrinos a Santiago de Compostela percorrendo o mítico numa das suas infindáveis ramificações, o caminho central português. A projeção da experiência mostrava-a empreitada poderosa; com experiência de 1 a 2 dias de mochila às costas transformar-me num caracol durante 10 dias era dose desconhecida - para os parceiros, também. Todas as curtas experiências anteriores de caminhada se me acrescentaram e contribuíram para, aos poucos, ir alterando o foco, o ângulo com que via as coisas. Se, então, encher uma mochila de tralha e enfrentar 10 dias de aparente tormenta seria dobrar o cabo da Boa Esperança, hoje posso afirmar sem qualquer dúvida que, do mais simples ao mais tempestuoso dos trilhos, começam todos da mesma maneira: com o primeiro passo. Esquema altamente complexo e encriptado das coordenadas do Ponto de Encontro inicial. Era uma operação desafiadora do ponto de vista social, da r...
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O que desinquieta o Homem? De onde brota esta disposição que corta a eito a inércia e revolve de cima a baixo a vontade, traçando paisagens desconhecidas na ambição acomodada dos dias? Que perguntas faço, eu que me proponho a falar sobre 10 dias a caminhar de mochila às costas! Tentar explicar algo que nos ultrapassa é lutar com a falta de palavras para expressar o indizível - claro como a água! Lembram-se daqueles momentos, algures num passado remoto entre a infância e a adolescência, quando o regresso da escola a casa era feito por caminhos que se tornavam infinitos na companhia dos compinchas da turma, como se o mundo todo passasse diante de nós sem darmos conta, diria, até, uma espécie de avanço-recuo constante? Como o exercício de subir os degraus de uma escada rolante em sentido descendente – ali, sempre no mesmo sítio, apesar do esforço contínuo das pernas? É mais ou menos isso que tento explicar quando me perguntam o que pode existir de fascinante nesta tarefa de calcor...