Concedo que o tema anterior haja causado leves irritações nas mucosas nasais, sugestionadas pela descritiva pertinente da ocorrência. Lamento, obrigado que me manda o rigor.
A caminho de Caldas de Reis, deixámos para trás localidades como Santiaguiño do Burgo, Ponte Cabras, Santa Maria de Alba, San Caetano, Castrado, Reiriz, San Mauro, Cancela, Ponte de Valbon e Briallos.
Não seria um qualquer atalho do caminho a colocar entraves à nossa impetuosa passagem. Aprendi há muito que "para cada problemática existe uma solucionática".*
Em Santa Maria de Alba estamos próximo do antigo lugar de Goxilde, onde o arcebispo Xelmirez descansou e fez descansar as suas tropas na fuga empreendida, de Braga a Compostela, com as relíquias de vários santos. A história é curiosa: há uma lenda baseada em fragmentos de escritos, e pouco difundida no seio da igreja católica, que coloca em Braga a primazia da única ressuscitação operada por São Tiago durante a digressão pelas Espanhas, na pessoa do 1º bispo de Braga, S. Pedro de Rates.
Tentando obstar o destaque alcançado por Braga, em pleno séc. XII, em 1102, Diogo Gelmires, desceu a Braga e, pela calada da noite, roubou as relíquias de S. Frutuoso e dos mártires S. Silvestre, S. Cucufate e Santa Susana. Basicamente, um dos pólos a tentar ludibriar o outro e arregimentar para si as vantagens em torno dos negócios envolvendo a fé.
Eufemisticamente a igreja chamou-lhe "Pio Latrocínio".
Em Caldas de Reis, o Sandro tentava convencer um casal estrangeiro que quem ali estava a passar os pés na bica de água termal era um homem santo que caminhava desde a Índia. Eu, fiz de conta que não o percebia; eles, ou não perceberam o inglês do interlocutor ou foram de regresso para a terra contar que estiveram na presença de um homem santo da Índia. Há cada maluco - da Índia!!!!
Seguindo pela "calle Real" e transposta a Ponte Bermaña, chegámos ao albergue. Lá dentro, ambiente labiríntico mais se assemelhando a uma loja de conveniência com os seus produtos em pleno caos organizado: em cada canto, por mais enviesado...um beliche!
Ponte Bermaña
Ambiente calmo e relaxante em torno do albergue, à direita na foto.
Antecedendo o jantar, o tempo foi usado para a higiene pessoal, lavar a roupa do dia e descansar. É um ritual que se repete.
À noite, já depois de adormecer, acordei por volta da 00:00h e ouvi uma voz conhecida na sala de estar em pleno e entusiasmado diálogo - escuso dizer quem era!
*Sucupira, ame-a ou deixe-a - venturas e desventuras de Zeca Diabo e sua gente na terra de Odorico, o Bem-Amado. Dias Gomes; pág. 25. Difel.





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