O assunto exige uma prévia explanação: o aviso aos mais sensíveis para o carácter escatológico do tema; na eventualidade de ferir susceptibilidades, aconselho a não leitura.
Precata com desvelo este simples escrivante a possibilidade de preparos judiciais futuros, ausentando, por omissão, referências antonomásicas ou similares, assim como actos e factos comprometedores da sã reputação do dito cujo envolvido, cidadão integro e praticante exdrúxulo de prudentes, sadias, sensatas e preclaras acções. Inunda-se-me de critério o boião da razoabilidade posto que, assisado por defeito, manda a deferência à simpatia extrema de Vs. Exªs. o beneplácito do meu humilíssimo prestar, assim como à concisa observância do rigor Histórico, credor notável dos meus mais miseráveis empenhos, adiantar não sido comigo, com o Jorge ou com o Sandro. Mil desculpas peço e outras mil as evito pelas reservas aduzidas, mas o tema é controverso, pouco edificante e passível de gerar gretas sanguinolentas na pele da estabilidade emocional, exsudando em bica o suor do padecimento atroz dos mártires.
Poesia de WC: "Neste canto solitário / onde a vontade se acaba / todo o covarde faz força / todo valente se caga."
"Num lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, não há muito tempo vivia um fidalgo desses de lança no cabide, adarga antiga, rocim magro e galgo corredor."*. Eis a famosa abertura do D. Quixote, de Cervantes, obra máxima da cultura mundial, ora usada como barómetro comparativo da importância conferida ao episódio que de pronto irei narrar. Também eu escuso adianto na localização da terra, incerto que estou se Pontevedra ou Caldas de Reis - tal, não menoriza o acontecido nem a dúvida o transforma em desacontecido. Valha-me, na verdade da intenção, as palavras sábias do grande Odorico Paraguaçu: "Não, não é duvidança. Boto fé no seu apetrechamento moral, sei que é homem abastecido de carácter e outros opcionais."**
Diz a lenda, esse ponto mental perdido entre as dobras da História e a voz do povo, que uma sublevação gástrica, uma insurreição de merda, uma escorrência fétida, rompeu impante atravessada no caminho de um de nós. Qual borrasca gigantesca brotando da goela dierraica, um tsunami de bosta compôs um furacão intestinal provedor de magnânima caganeira.
Ó assombrosa montanha fecal, tinge tecidos, borra paredes; ó tela em branco rasgada a pinceladas de artista da merda; ó azulejo de virginal brancura violada; ó esgoto entupido: quem te pariu, cagou-se todo!
E isto posto, incendiando as candeias luzentes da minguada inteligência que dois fiínhos de cérebro alumiam, "veio fazer-me cócegas na bossa da curiosidade".*** Alterou-se a gramática, a sintaxe e a semântica. Indagar o acto passou a : "O que é que tu fezes?". Esquadrinharam-se teorias; métodos revolucionários; práticas futuristas. Médicos, bruxos e endireitas queimaram postulados e outros conhecimentos, mezinhas e ladaínhas, beberagens e fumos - por simpatia, assemelhou-se derrame cerebral explicado: a tripa cagueira subiu andaimes ao andar cerebral e expôs a nu o AVC dos chefes: Aí Vai Cagada!
Pois que o divino erra assim o diz o olfacto, danificado em função, que a roda da sorte fez aportar ao cais no meu dia Natal. Imperativos administrativos e outros ademanes e salamaleques tais desleixaram o cuidado e a activação dos garantes da garantia concomitante não foram reclamados em tempo de calendário. Golpe do destino: passei incólume às repercussões secundárias do efeito Ambientador de Lixeira, à brisa pestilenta do Feno de Portugal de Aterro.
Alvitram os anais que o registo histórico se aforrou justificante da má qualidade do néctar vínico. Talvez... Ó dúvida! Ou o repasto do pregresso dia, incoerênciado com as boas práticas da dita cuja confecção. Talvez... A única certeza é que foi uma borrada excedentária de merda.
A fim de proteger os intervenientes reais, actores amadores recriaram pormenorizadamente para a História o momento em que o dito cujo abandona uma loja de chinesisses, portando na saca umas pantalones de substituição. Destaque para o convincente ar sofredor empregue pelo actor Ângelo: é impressionante o realismo da representação, até parece que foi ele!
** Sucupira, ame-a ou deixe-a - venturas e desventuras de Zeca Diabo e sua gente na terra de Odorico, o Bem-Amado. Dias Gomes; pág. 25. Difel.
*** A esperança – semanário de recreio litterario (1865), E. A. Salgado.

Comentários
Enviar um comentário