Quase a sair de Portugal, atravessando partes dos distritos do Porto, Braga e Viana do Castelo, passámos por alguns dos templos dedicados ao culto de S. Tiago nesta parte do território. Contando-se por algumas dezenas, são reveladores da devoção que o povo demonstra pelo Santo. Socorrendo-me de ajuda alheia, "Assim, só no distrito do Porto temos os seguintes: Custóias; Milheirós; Rande; Sendim e Pinheiro (na região de Felgueiras); Cernadelo e Lustosa (na região de Lousada); Subarrifana, Capela, Fonte Arcada e Valpedre (na região de Penafiel); Figueiró (na região de Amarante); Mesquinhata e Valadares (na região de Baião); Carvalhosa, Figueiró e Modelos (na região de Paços de Ferreira); Bougado, Burgães e Carreira (na região de Santo Tirso); e Labruge e Amorim (na região de Vila do Conde), já não muito distante da Póvoa de Varzim. Por sua vez, em relação ao distrito de Braga temos: Esporões, Fraião, Priscos, Santa Lucrécia de Algeriz e Braga-cividade (tudo na área da c...
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A mostrar mensagens de abril, 2024
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O Caminho prosseguiu por S. Bento da Porta Aberta, em Pecene, Gontomil, Fontoura, Paços, Ponte da Pedreira, Tuído e Arão, antes de Valença. Rasgando paisagens rurais, adentrando campos e aldeias escondidas do tempo, seguíamos inebriados com os ventos de novidade e espanto. A pouco mais de 100 quilómetros da origem, tudo tão diferente, renovador da alma na sua simplicidade. É diferente o silêncio no meio da natureza, transmite uma agradável sensação de comunhão. É quase um regresso ao passado a passagem por estas aldeias encontradas no caminho; não que a modernidade não lá tenha chegado, mas sim porque a simplicidade em torno do essencial se mantêm, apesar das televisões, dos telemóveis e outras particularidades actuais. Rompendo por entre campos através de singelos carreiros, somos assombrados por esta central de informações. Não consigo identificar a aldeia, mas acho que não vale a pena: fica a magia de ter acontecido. Não sei onde li que o Caminho é uma metáfora da vida, e...
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Dormir num albergue juntamente com outros peregrinos é correr o risco de dormir pouco, caso se seja sensível ao barulho; e se digo barulho, é de barulho que se trata. Mais de cinco pessoas a ressonar durante o sono é o maior castigo para os sono-leve. A sala de concertos: os solistas preparam afincadamente o início do espetáculo. Albergue de Padrón. Existe uma conjura não declarada entre os ressonadores, ainda que provenientes de zonas distintas do planeta; ainda que falantes de línguas estranhas; ainda que novos, ou velhos: a táctica é não deixar 5 segundos de silêncio entre dois roncos. Eu explico: enquanto o último roncador ganha fôlego para mais uma trombonada, aspirando ruidosamente o ar em volta, o colega do lado, solidário na ruidosa arte, ronca por sua vez, tonitroante e poderoso, qual trovão, passando ele à tarefa de encher de novo ar o aparelho roncador. A noite escura é um temporal entre paredes, um cataclismo arrasador, até o telhado treme. Inclemente, um terceiro agiga...
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O romper da aurora no dia 24 . De novo o tema "Das manhãs." Cedo erguidos, logo a paisagem nos sugava confundindo-se em nós, pintalgando-nos com as cores da manhã nascente. Sai em meu socorro a magistral descrição transcrita da obra de Abel Salazar, desesperada tentativa minha em querer aproximar o que dizem os meus lábios daquilo que viram os meus olhos. "Manhã. Névoas húmidas e cendradas pesam sobre a terra entorpecida dos véus da noite; resplendente, o sol ergue-se no horizonte numa orgia de oiro. A aleluia rósea canta no vale; na folhagem há oiros novos e nas eiras cantos heróicos de galos em glória; o sol ascende a pouco e pouco enquanto nos céus o cobalto da manhã, envolto em brumas argênteas, em brumas róseas, em brumas de oiro, num manto de luz com diamantes de orvalho cintilando em fetos, em giestas, em matos, em silvados, sai da letargia da noite; e o vale sorri na luz e na atmosfera, sorri em toda a parte, descerrando os seus véus, sob a aleluia de oiro da ma...
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Durante a noite o pesadelo recorrente apareceu sob a forma de ementa. Foi um revés duríssimo na moral dos peregrinos. Ansiávamos pela chamada comida de conforto para afago do ânimo e lembrança do ninho caseiro. Uma terna blandícia nos corações despedaçados após longa jornada que já raiava a epopeia. Novo dia, nova etapa, que o sol já desponta e não espera atrasados. Na companhia de outros caminheiros rumámos fora Ponte de Lima - chegados com água na boca; saindo que nem ougados quinze dias perdidos no mato. E'ta provação danada! Numa certa leitura, observar um magote de peregrinos é como observar formigas: mais perto ou afastados, acabam sempre por passar no mesmo carreiro. À saída de Ponte de Lima tivemos companhia durante alguns quilómetros; depois, como sempre acontece, a dispersão ganha efeito - uns, mais rápidos, outros mais lentos - para, no fim, no albergue próximo, acontecer de novo a reunião. Manhã cedo começa o dia. O céu aparentava discordância com a noss...
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Barcelos - Ponte de Lima foi a etapa rainha, a mais longa das tarefas a cumprir. Para além disso, esteve um dia tórrido, de sol aberto, abrasando o ar de baforadas quentes do inferno que nem o diabo a dar arrotos. Pouco após o início da jornada do dia, o céu apresentava-se assim. Saídos do ambiente urbano de Barcelos mergulhámos no verde minhoto por 33 km. Esta etapa foi primordialmente a rolar (para usar uma expressão de pelotão ciclista, dando um ar habitual e costumeiro da nossa prática), por entre ruas estreitas atravessando vilas e lugares que logo cediam espaço ao campo aberto de terrenos cultivados e viçosos. Os campos plantados produzem em mim uma sensação próxima da emoção; talvez uma reminiscência dos tempos em que estávamos ligados à terra, mais próximos do acto de lançamento da semente transmutado em milagre na colheita, uma aproximação ao acto criador. Basicamente, sou um agricultor reprimido. Como sou choninhas por livros de relatos de viagem, transcrevo a segu...
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Passar em Barcelinhos é jantar no "Cantinho do Peregrino". Local simpático e singelo, é já pouso mítico de todos os peregrinos que demandam o Minho naquela zona. Conhecem aquele provérbio: "É o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa"?. Veio aqui buscar inspiração: "É o mesmo que passar a Barcelinhos e não ir ao Cantinho.". Houve alguém que se enamorou pela aguardente...diacho!, quem foi? Foi uma constante: a prestigiar os locais de passagem com a nossa presença. Creio que foi a partir daqui que me caiu a ficha no parco entendimento que me vai restando; até então, havia sido a euforia da surpresa, a aventura juvenil, o passeio da escola; perspectivar os dias seguintes no mesmo molde dos dias anteriores foi uma experiência diferente de tudo o que havia vivido. Não apenas a deslocação do local físico das andanças habituais, a deslocalização do meio conhecido; isso, acontece nas férias. Algo mais profundo, ainda pouco nítido, começava a insinuar-se no espírito, ...
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Como é do conhecimento geral, Barcelos, Barcelona e Barcelinhos constituem a primeira Unidade Familiar de Cidades a nível mundial. Emulando as figuras de Pai, Mãe e Filho, esta tríade de urbes é o exemplo de proximidade e conexão que se deseja para a Família humana. Se é verdade, não sei, pois inventei agora; mas que é uma ideia doida, lá isso é... Surpreendentemente - apenas para quem não nos conhece - esta estátua pediu-nos uma foto com ela. Anuímos, claro! Atravessar o Minho é um festival de frescura para os olhos: o verde, omnipresente, é como um convite a um mergulho retemperador nas águas do Atlântico em dias de Agosto; chegar a Barcelinhos é como abraçar Barcelona, derramar os olhos na Sagrada Família e passear nas Ramblas, traulitando " Empecé por aquella rambla / De la rambla de Barcelona / Me encuentré una chiquita / Pero la llevo yo a mi casa. " . Quem não lembra "A ti, a ti" dos Gypsy Kings? Optámos por ficar em Barcelinhos no albergue "Amigos da ...